sábado, 28 de novembro de 2009

Redes de Valor e de Cooperação : evoluindo com a Inteligência Empresarial - série 1

As regras do jogo empresarial têm mudado, consideravelmente, nos últimos anos, sendo que a ‘hipercompetição’ convive com a cooperação.

A ‘coopetição’, que é uma fusão dos termos cooperação e competição, entre as empresas, ganhou força nas últimas décadas, e hoje conquista maior espaço frente ao já conhecido ‘ambiente hipercompetitivo’.

A cooperação entre organizações assume uma maior importância devido à dificuldade das empresas em atender as exigências competitivas isoladamente (Nalebuff; Branderburger, 1996).

Nos setores como Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) e Indústria Automobilística, a ‘coopetição’ já é realidade. Como exemplo, tem-se linhas de produtos em que as empresas são concorrentes, sendo que para outras são parceiras.

Essa é a dinâmica do mundo de negócios atual e, neste cenário, estamos evoluindo para a formação de redes de valor e de cooperação empresarial.

Há fortes indicadores de que as empresas já caminham na direção de modelos de negócios interconectados e com um maior nível de colaboração:

- a proliferação das extranets com os altos investimentos em eBusiness;
- a preocupação com a integração (dos dados, sistemas, processos);
- o avanço das tecnologias (como web services);
- a evolução da internet com a WEB 2.0;
- o crescimento das redes sociais com seus wikis, blogs, nings e
- a necessidade das empresas fazerem parcerias estratégicas para sobreviverem.

Segundo o Estudo Global de CEO da IBM (2008), 85% dos CEOs pretendem entrar em parcerias para aproveitar as oportunidades de integração global – e mais da metade planeja fazê-lo intensivamente.


Figura 1 - Expectativa de crescimento de relações colaborativas – nível mundial




Redes de Valor: definição, como funciona e principais barreiras

Para facilitar o entendimento dessa evolução no modelo de negócios organizacional, vamos definir o que são redes de valor e identificar as principais barreiras.

Redes de Valor ou Modelos de Negócio em Rede é um conceito empresarial que surgiu na década de 90, baseando-se nas competências essenciais das organizações, em modelo proposto por Hamel e Prahalad em 1990. (Balceiro et al. 2002)

Os autores já ressaltavam, na década de 90, a importância das organizações investirem em parcerias que pudessem complementar às suas competências com o objetivo de formar uma Rede de Valor capaz de agregar valor em toda a cadeia de valor até o consumidor final. (Hamel ; Prahalad, 1990)

Neste sentido, a Rede de Valor pode ser definida como uma rede de fornecedores, distribuidores, provedores de serviços e clientes que conduzem as transações e comunicações comerciais através das tecnologias de comunicação e informação (TCI), com o objetivo de produzir valor para os consumidores finais e para os membros da rede. (Tapscott, D. ; Ticoll, D; Lowy, A., 2001)

Para a Edge Group, Rede Colaborativa de Valor (RCV) são empresas parceiras com processos integrados em redes colaborativas, que não mais operam em cadeia seqüencial, mas que em tempo real, maximizam a eficiência e potencializam o valor agregado de cada uma das partes envolvidas, oferecendo a melhor relação de valor, preço e serviço. (Relatório Redes Colaborativas de Valor, Edge Group, 2003).

Numa tentativa exaustiva englobando conceitos e aplicabilidades, várias outras empresas e estudiosos definiram o conceito de redes de valor e de cooperação empresarial nos últimos quinze anos: eBusiness Network (Forrester Research), Real-Time Enterprise-RTE (Gartner), Adaptive Enterprise (HP) e Adaptive Business Network-ABN (SAP). E percebe-se também que algumas empresas estão tentando ‘reinventar’ o conceito de Rede de Valor, o que infelizmente acaba confundindo ainda mais.

É importante ressaltar que o nome para essa evolução no ambiente organizacional realmente não importa muito. O que está em jogo é como fazer essa rede funcionar, trazer resultados e, principalmente, como mobilizar as pessoas para construirmos organizações em rede em vez de organizações hierárquicas.

Dentre as principais barreiras para a operação das empresas em redes de valor estão a mobilização das pessoas no sentido de quebra de barreiras culturais e o modelo atual das organizações com estruturas pesadas e arcaicas, principalmente nas grandes organizações.

Sobre a questão da cultura é necessário uma mudança de paradigma no sentido de que as informações serão compartilhadas entre os participantes da rede. Precisamos responder algumas perguntas como:
- Quais informações? Em que nível? Quem terá acesso?
- Onde essas informações serão disponibilizadas? Como?

É natural que haja uma preocupação para liberar dados da empresa para as outras empresas parceiras. Por isso, acordos entre elas terão que ser feitos e muito bem ‘amarrados’ para que as redes de valor possam avançar e trazer resultados numa relação de ganhos mútuos (win-win).


A evolução da Cadeia Produtiva para Redes de Valor

A seguir, veja exemplo de cadeia produtiva visando facilitar a comparação entre a cadeia produtiva e as redes de valor e de cooperação empresarial.





Percebe-se que o conceito de cadeia produtiva - seqüencial e estático –, está começando a ganhar outros rumos e evolui, em passos lentos, para redes de valor.

Estamos numa fase em que ainda predomina o modelo seqüencial e em série da cadeia produtiva, mas já há algumas iniciativas de empresas com foco no modelo integrado em redes de valor e de cooperação. Para o futuro, fica a certeza de que vamos conviver com os dois modelos.





É importante que as empresas percebam que o conhecimento e o mapeamento da cadeia produtiva (quer seja do cliente, do parceiro e\ou da própria empresa), antes de evoluir para modelos colaborativos de negócios e interconectados, fazem parte da curva de aprendizado e da evolução do modelo de negócio empresarial.

Na ponta final da rede, nós, consumidores, podemos nos beneficiar dessa integração de pessoas, processos e sistemas entre as empresas.

Uma vantagem, por exemplo, é o lançamento de produtos/serviços mais adequados ao gosto do consumidor com ambientes colaborativos (como portais) disponibilizando canais específicos para os clientes interagirem com a empresa, podendo até mesmo contribuir na concepção de novos produtos.

O grande diferencial é que essa informação poderá ser compartilhada com parceiros estratégicos da empresa trazendo benefícios para toda a rede.

A adoção de modelos colaborativos e interconectados em redes de valor pressupõe o envolvimento das áreas da empresa como um todo: logística, pesquisa & desenvolvimento, finanças, marketing, produção etc.

No próximo artigo, vamos falar das ações de empresas e de setores que estão se destacando neste sentido e de como o conceito das redes de valor, se aplicado à inteligência empresarial, pode trazer maiores resultados para as empresas em marketing e vendas.


Referências Bibliográficas


- BALCEIRO, R. B. ; ÁVILA, G. M. ; CAVALCANTI, M. C. B. A Função Logística nas Redes de Valor. In V SIMPOI 2002 – Operações e Redes Produtivas: Integração e Flexibilidade (Congresso). São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, 2002.

- CASTRO, A. M. G. et al. Cadeia Produtiva : marco conceitual para apoiar a prospecção tecnológica. In XXII Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica. Salvador: USP, 2002.

- HAMEL, G.; PRAHALAD, C.K. Competing for the Future. Harvard Business School Press, Boston, 1990.

- HEINRICH, C.; BETTS B. Adapt Or Die : transforming your supply chain into an adaptive business network. New Jersey: John Wiley & Sons, 2003.

- NALEBUFF, B. J. ; BRANDERBURGER, A. M. “Co-opetição”, Rio de Janeiro: Rocco, 1996.

- TAPSCOTT, D. ; TICOLL, D; LOWY, A. Capital Digital : dominando o poder das redes de negócios. São Paulo : MAKRON Books, 2001.

- TEIXEIRA, D. R. Rede de Valor para Inteligência Empresarial. Revista da ESPM, vol. 16, Edição nº 1, pg. 80-90, janeiro/fevereiro 2009.

- ZALLA, S. Relatório Redes Colaborativas de Valor (RCV´s), Edge Group, 2003.



Este artigo foi publicado originalmente no Portal Meta Análise
www.metaanalise.com.br/inteligenciademercado/momento/ponto-de-vista/redes-de-valor-e-de-cooperac-o-evoluindo-com-a-inteligencia-empresarial-s-rie-1.html

Mais lido no Meta Análise em 10/2009


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

INCAPER - Inovação de Produtos com Sustentabilidade

Tenho a honra de publicar que o INCAPER (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) é o vencedor do Prêmio Finep 2009 para a região Sudeste.

Tenho uma relação próxima com o INCAPER porque foi o meu 1º cliente em consultoria de Marketing e Planejamento Estratégico, numa concorrência pública que participei. Isso 10 anos atrás.

Ontem, tive o prazer de receber uma ligação do chefe de planejamento do INCAPER comunicando esta ótima notícia.

PARABÉNS INCAPER!

Segue, abaixo, informação sobre o 'Projeto Cores da Terra' que é uma técnica de obtenção de tintas, a partir de diferentes tipos de terra.

Terra! Isso mesmo.



O Projeto Cores da Terra

Desenvolvido no Espírito Santo desde 2007, o “Cores da Terra” é uma técnica de obtenção de tintas, a partir de diferentes tipos de terra que, misturada a ingredientes como água, cola e pigmentos de plantas, resulta em tintas de cores e tons variados.

A tecnologia apresenta baixo custo e impacto ambiental e contribui com a sustentabilidade da propriedade rural na atividade do agroturismo. Além de embelezar a paisagem rural, com a pintura de paredes, ainda favorece a melhoria da aparência das habitações rurais, instalações comunitárias e empreendimentos turísticos. Proporciona também uma alternativa de renda, a partir do acabamento de peças decorativas e utilitárias para serem comercializadas (como telas, vasos de flores, objetos decorativos, telhas) e outras atividades que compõem o ambiente.

A técnica é executada nos princípios da Bioarquitetura e Agroecologia. Inicialmente desenvolvida no Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (MG), foi introduzida no Espírito Santo pela coordenadora do Programa de Agroturismo do Incaper, Maria das Dores Perim, e pela coordenadora do Programa de Atividades Não-Agrícolas, Durnedes Maestri, que criaram o Projeto.

Atualmente, mais de quatro mil pessoas de diversos estados brasileiros já receberam treinamento, entre agricultores, artesãos, professores e estudantes, sendo que o público feminino responde por mais de 70% dos participantes.

Segundo Durnedes Maestri, a técnica representa uma economia superior a 50% em relação aos processos tradicionais. “Este valor é variável em função do preço da cola branca praticado no mercado. O mais interessante é que a técnica ainda se transforma em uma oportunidade de trabalho e renda extra às famílias”.

Já Dores Perim explica que, em relação aos aspectos ambientais, a técnica causa baixo impacto, uma vez que utiliza produtos naturais como terra misturada com água, cola branca – que pode ser substituída pelo grude (polvilho azedo, água e calor) – e também a cal e o óleo de linhaça. “As cores não se encontram no solo, são extraídos de sementes, raízes, cascas, folhas, flores, frutos e pigmentos naturais. Por isso, as tonalidades estão em plena harmonia com a natureza, não causam o impacto visual que pode ocorrer com alguns tons das tintas convencionais. E a retirada da terra para fabricação da tinta é sempre orientada de forma correta, para que não cause degradação do solo”.


Prêmio FINEP

O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), foi o grande vencedor na edição 2009 do Prêmio Finep de Inovação, na categoria "Tecnologia Social", da região Sudeste. O anúncio da conquista aconteceu na noite desta terça-feira (24), no Rio de Janeiro (RJ). Durante o evento foi anunciado que Vitória sediará a premiação da etapa Sudeste em 2010.

Ainda segundo o secretário, é importante destacar como a organização faz diferença. “Desde 2003, o Governo do Estado iniciou um projeto para reestruturar o Incaper, colocando as contas em dia, melhorando a infraestrutura e aumentando o quadro profissional. Os resultados e essas conquistas não vieram por acaso”, completa Bergoli.

Estiveram presentes à solenidade de premiação o presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo, a coordenadora do Programa de Agroturismo do Incaper, Maria das Dores Perim, e a coordenadora do Programa de Atividades Não-Agrícolas, Durnedes Maestri - que criaram o Projeto - a chefe de gabinete, Giovana Cotta e o chefe da área de Planejamento, Luciano Fasolo.

“Esse prêmio se confunde com a própria história do Incaper e de seus profissionais. A terra, a matéria-prima do agricultor familiar e a essência do trabalho de pesquisa, assistência técnica e de extensão rural do Incaper possibilitou mais essa oportunidade de sermos reconhecidos nacionalmente. Que nos próximos 50 anos tenhamos a capacidade de consolidar esse pacto do homem com a natureza. O compromisso com a sustentabilidade passa por isso”, destaca o diretor-presidente do Incaper, Evair de Melo.

Agora, os primeiros colocados das categorias Micro/Pequena Empresa; Média Empresa; Grande Empresa; Tecnologia Social; Instituição de Ciência e Tecnologia; e Inventor Inovador, em cada região do Brasil, disputam a etapa nacional, que acontecerá dia 8 de dezembro, em Brasília.

Os vencedores nas etapas regionais e nacional dividirão R$ 29 milhões em financiamentos pré-aprovados pela FINEP. Desse total, R$ 9 milhões serão de recursos não reembolsáveis (que não precisam ser devolvidos) e até R$ 20 milhões em recursos reembolsáveis.


Confira as instituições que concorrem com o Incaper na etapa nacional:

Região Nordeste - Serviço Nacional de Aprendizagem da Bahia (BA)
Região Centro-Oeste - Universidade Católica de Goiás (GO)
Região Norte - Universidade do Estado do Amazonas (AM)
Região Sul - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Embrapa Clima Temperado (RS)


Promovido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o prêmio é o principal do setor no Brasil e é um instrumento criado para identificar, divulgar e premiar esforços inovadores desenvolvidos e aplicados no território nacional.

O Incaper concorreu com 28 instituições na categoria Tecnologia Social e venceu com o Projeto Cores da Terra – técnica de produção artesanal de tinta, a partir de terras variadas, água e cola. Em segundo lugar ficou a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (RJ), e, em terceiro, a Associação Ebenézer (SP). Ao todo, foram 209 inscrições para a Região Sudeste, de seis categorias.

Esta é a segunda vez que o Incaper vence o Prêmio Finep, considerado o Oscar da inovação. Em 2007, alcançou o primeiro lugar como Instituição de Ciência e Tecnologia da Região Sudeste.

“O Incaper e todos os profissionais que atuam no Instituto estão de parabéns. Vencer o Finep é um mérito invejável e o Incaper o conquista pela segunda vez, em tão pouco tempo. Esse reconhecimento condiz com a importância dos serviços que o Incaper desenvolve junto ao agricultor familiar e pelo incremento do setor agrícola do Espírito Santo”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli.


Fonte: www.incaper.es.gov.br/?a=noticias/2009/novembro/noticias_25_11_2009_1

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Inteligência Competitiva - REVIE em blog de Portugal

Olá,

Fazendo pesquisas no Google sobre o assunto Inteligência Competitiva, encontrei um blog de Portugal que publicou o artigo sobre Inteligência Competitiva - da série REVIE (Rede de Valor para Inteligência Empresarial).



Em http://incnews-intelligence.blogspot.com/2009/10/inteligencia-competitiva-revie-na_6259.html


Para quem se interessar, o endereço deste blog mudou recentemente para http://incnews-intelligence.blogspot.com/

O meu artigo mencionado neste blog encontra-se disponível em http://inteligenciaempresarial-brasil.blogspot.com/2009/07/revie-na-pratica-inteligencia.html


Boa semana!

SDS,

Daniela Ramos Teixeira
cv lattes: http://lattes.cnpq.br/6393017699492213
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twitter: www.twitter.com/ramos_daniela

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Clipping é inteligência competitiva?

Por Alfredo Passos


Certa tarde, um velho índio cherokee contou ao neto uma história sobre a batalha que acontece no interior das pessoas.
“Meu filho, a batalha é entre os dois lobos que existem dentro de nós. Um é mau. É a raiva, a inveja, o ciúme, a tristeza, o arrependimento, a cobiça, a arrogância, a autocomiseração, a culpa, o ressentimento, a inferioridade, as mentiras, o falso orgulho, a superioridade e o ego.”
“O outro é bom. É a alegria, a paz, o amor, a esperança, a serenidade, a humanidade, a bondade, a benevolência, a empatia, a generosidade, a verdade, a compaixão e a fé.”
O neto pensou por um minuto e perguntou ao avô:
“Qual dos lobos vence?”
O velho cherokee respondeu simplesmente:
“Aquele que você alimentar.”
- Anônimo




Escolha é a matéria-prima de quem trabalha com Inteligência Competitiva. Monitorar concorrentes, tecnologias, tendências de mercado e acima de tudo mostrar riscos a serem evitados, são em última análise derivadas de uma escolha, como podemos ler na história acima.

Um profissional de Inteligência Competitiva busca e precisa apontar para os dirigentes de sua empresa, a diferença entre os dois lobos.

Claro que esta não é tarefa fácil.

Além de leitura e estudo, a prática, a experiência, ou seja, saber avaliar como executivos de uma empresa tomam decisão, faz toda diferença na criação de um programa de inteligência, e principalmente, quando da elaboração de produtos de inteligência, quer sejam newsletters, relatórios impressos, apresentações em power point, planilhas excel, emails, entre outras possibilidades

Porém, ao realizar diagnósticos empresariais e informacionais em empresas de diversos segmentos e portes também diversos, constato que está sendo oferecido, cada vez mais para executivos, um produto de inteligência, que nada mais é do que um clipping, cada vez mais extensos (relatórios de 20 páginas), que buscam atingir um número maior de gestores dentro da empresa, com o objetivo de aumentar o volume de informação, e não o valor da informação.

Hoje, se acredita que o envio das principais notícias do dia, divididas por títulos que buscam endereçar áreas, departamentos ou processos da empresa, com links, caso “o leitor – executivo” tenha um maior interesse pela notícia, seja um trabalho de inteligência competitiva.

E as vezes, o mais interessante é uma notícia ser endereçada a vários executivos de uma organização, copiada e colada de um jornal econômico ou revista de negócios, sem citação alguma a fonte.


Ora, que trabalho de inteligência é esse?

Então cita-se uma matéria publicada em um veículo de grande circulação, com título e breve resumo do próprio jornal, revista, rádio, televisão, internet e “leitor – executivo” que se vire, se quer mais informação sobre aquele assunto?

Ah, inteligência competitiva não é isso.

Louvável o trabalho de muitos fornecedores em colecionar informações jornalísticas ao longo de toda uma noite, para logo no início do expediente corporativo, ou seja, por volta de 8 horas da manhã, enviar um informativo para um profissional da empresa, que simplesmente vai encaminhar para uma lista já gravada em seu computador, o trabalho de “inteligência” do dia. Ou o próprio fornecedor, de posse da lista, já enviar para empresa, ou disponibilizar na intranet da empresa.


Risco em inteligência e risco por um profissional de inteligência

Então se o clipping não conseguir “coletar” todas as “notícias” sobre determinado produto, concorrente, mercado, consumidor, pelo simples fato que este veículo de comunicação (de uma cidade, de um estado mais distante, por exemplo) ainda não ter disponibilizado em seu site, toda a publicação atualizada, o trabalho de inteligência corre risco?

Sim, justamente a função que está sendo criada para minimizar riscos, é aquela que acredita que “notícias de jornais, revistas, sites, emissoras de televisão, rádio, além de blogs, redes sociais, podcasts, são produtos de inteligência.”

Por isso, é hora de rever o que está sendo chamado de inteligência, pois diferenciar o sobrenome; inteligência de mercado, inteligência estratégica, inteligência de compras, inteligência do consumidor, pode ter um efeito “cosmético.”

Afinal, muda-se o sobrenome, mas não a função, exigências profissionais e a qualificação e experiência para se fazer “inteligência”.

Muito já se falou e escreveu sobre inteligência, mas o profissional formado para trabalhar neste campo de trabalho, continua a ter como objetivo primordial e prioritário, a resolução de um problema empresarial, que passa pela comunicação à empresa de ações que visam antecipar movimentos da concorrência e do mercado.

Cada vez mais inteligência é a gestão do risco.

E a resolução deste dilema corporativo, não é publicada nos jornais diários ou vem no clipping com um link para ser acessado por qualquer um dos executivos, da lista da empresa.

Pense nisso!

Fonte: www.administradores.com.br/artigos/clipping_e_inteligencia_competitiva/35831/



Concordo com o Alfredo: clipping não é Inteligência Competitiva.
O que venho observando é que, infelizmente, há muitas empresas vendendo este tipo de serviço como um ‘produto de inteligência’, o que acaba confundindo ainda mais o profissional.
Na última palestra que ministrei a convite da ASSESPRO-PR e SEBRAE em Curitiba, falei exatamente sobre isso: apenas a notícia não é inteligência.
Tem-se que agregar valor e, no mínimo, fazer algum comentário útil para quem lê.



SDS

Daniela Ramos Teixeira


domingo, 15 de novembro de 2009

Inteligência Empresarial - o futuro está baseado em decisões em rede?

O conteúdo, abaixo, foi escrito pela jornalista Luciana Robles com base na palestra de Fernando Domingues Jr. durante o Competitive Intelligence Summit 2009.

Gostaria de chamar a atenção para o que o Fernandes falou sobre redes e inteligência:

De acordo com o especialista, com um mercado dinâmico como o atual, uma empresa vai ter mais sucesso o quanto antes compreender as mudanças e mais rápido responder ao mercado. “Então, será que o futuro está baseado em decisões em rede? Eu acho que este é um caminho, porque quem está no campo tem informação, e precisa, portanto, ter integração com o decisor”, argumenta Domingues Jr. “Mas isso é uma coisa que só vai crescer se debatermos, afinal, não existe receita de bolo pronto para Inteligência”, finaliza.


Concordo com o Fernandes e acredito que a Inteligência Empresarial, e aqui incluo a Inteligência Competitiva, tem que evoluir com a formação das redes de valor e de cooperação empresarial. Isso tem que ser visto pelos tomadores de decisão como um movimento macro, integrando as principais frentes de Marketing e Vendas com a Inteligência Empresarial.

Falo de produtos/ serviços, parceiros, clientes e mercado/ concorrência. Não adianta pensar restritamente apenas no eixo da Inteligência Competitiva (coleta, análise e disseminação da informação). A visão macro tem que envolver também o interorganizacional e intraorganizacional.

Por visualizar este cenário que criei, em 2008, o método REVIE (Rede de Valor para Inteligência Empresarial).

Para os visitantes do blog, que ainda não conhecem a REVIE, acessar http://www.slideshare.net/Daniela_Teixeira/revie-rede-de-valor-para-inteligencia-empresarial-autora-daniela-r-teixeira

A colaboração com as redes sociais e a WEB 2.0, irão acelerar esta realidade no ambiente corporativo.

SDS,

Daniela Ramos Teixeira
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O ciclo de Inteligência Competitiva funciona sempre?


Por Luciana Robles
06 de novembro de 2009


Com o mercado dinâmico como o atual, uma empresa vai ter mais chances de sucesso o quanto antes compreender as mudanças e mais rápido responder ao mercado. Estaria então o futuro da IC baseado em redes?

“Uma coisa é bastante clara para mim: assim como nasce muita Inteligência nas empresas, a mortalidade dessas áreas também tem um índice alto”. A afirmação de Fernando Domingues Jr, sócio-diretor da Mentor Consulting e professor do curso de MBA Monitoramento Competitivo e Estratégico da FIA, leva às perguntas: o ciclo de IM funciona sempre? E o que de fato está sendo praticado nas empresas?

Essas e outras questões foram respondidas pelo especialista durante o Scip Latin America Competitive Intelligence Summit, evento realizado pela Scip e pelo IBC em São Paulo.
Em sua apresentação, Domingues Jr. explicou que, em essência, no ciclo de Inteligência Competitiva o profissional identifica necessidades; coleta evidências; qualifica informações; analisa; documenta e dissemina, sendo a análise o coração de todo o processo de Inteligência.

“No entanto, quem está na área sabe que existem muitas dificuldades para realizar o ciclo”, afirmou o especialista, citando alguns exemplos: “não é fácil obter dos decisores a revelação do que realmente lhe tira o sono; a maioria dos trabalhos de inteligência é feito com informações secundárias, ainda são poucas as áreas que fazem uma rede com fontes primárias; às vezes a área nem analisa a veracidade dos dados; e poucos analistas dominam sua ferramenta de trabalho, ou seja, os métodos de análise”.

Outro problema apontado por Domingues Jr. é que geralmente a análise é feita por apenas uma pessoa. “Por mais que o analista seja ótimo, a análise feita apenas por uma pessoa sempre terá pontos cegos e será, portanto, parcial”, defende. Uma falha da área também discutida pelo especialista foi a constatação, feita na pesquisa da Scip, que a maioria dos profissionais entrega o seu trabalho por email. “Que valor ou relevância tem a sua inteligência se você a entrega por email?”, questiona.

Hoje, cada dia está mais fácil e mais rápido obter informações, e a quantidade de dados cresce copiosamente. Em contrapartida, o tempo para responder ao decisor é menor. “Com isto, abre-se mão da análise, que é o principal no processo de Inteligência”, diz o especialista. “Entregar planilha de Excel ou relatório não é entregar Inteligência. Temos de nos colocar de igual para igual com o decisor, nosso trabalho ser parte da estratégia, ou nosso trabalho não tem valor”, acrescenta.


Análise, um processo coletivo
Para Domingues Jr, análise depende de conhecimento. “Quanto mais conhecimento, maior o poder analítico. Mas ninguém sabe tudo; análise é feita em processo coletivo, e quanto mais compartilhada, melhor é feita. E esse compartilhamento tem que envolver o decisor”, explica. Isto porque, com a hierarquia empresarial, o decisor não sabe a realidade do que acontece no campo.

De acordo com o especialista, com um mercado dinâmico como o atual, uma empresa vai ter mais sucesso o quanto antes compreender as mudanças e mais rápido responder ao mercado. “Então, será que o futuro está baseado em decisões em rede? Eu acho que este é um caminho, porque quem está no campo tem informação, e precisa, portanto, ter integração com o decisor”, argumenta Domingues Jr. “Mas isso é uma coisa que só vai crescer se debatermos, afinal, não existe receita de bolo pronto para Inteligência”, finaliza.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Inteligência Competitiva, Inteligência Empresarial, Business Intelligence no Slideshare

Essa apresentação no Slideshare é parte do conteúdo que temos apresentado em cursos e workshops sobre Inteligência Empresarial e Inteligência Competitiva no Brasil.

Acesso em http://www.slideshare.net/Daniela_Teixeira/inteligencia-competitiva-inteligencia-empresarial-inteligencia-organizacional-business-intelligence-qual-a-diferena-daniela-ramos-teixeira-revie

Comentários e sugestões são sempre muito bem-vindos!

SDS,

Daniela Ramos Teixeira
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