terça-feira, 20 de maio de 2008

A tecnologia RFID na evolução dos processos colaborativos

O avanço da tecnologia RFID¹ e chips inteligentes nos produtos, captando dados, está diretamente relacionada à evolução das empresas para modelos de Redes Colaborativas de Valor (RCVs) ou Adaptive Business Network (ABN). O livro “Adapt or Die” (Claus Heinrich e Bob Betts) foi publicado nos EUA no ano passado. Ainda sem versão em português, a obra de título ousado, coloca um condicional ameaçador diante do foco dos negócios das grandes empresas e propõe a transformação do Supply Chain com vistas a integrar processos de forma colaborativa. Foi com porte de “best seller” que a obra chegou às mãos dos executivos de TI, abordando essas questões de forma ousada.

O Edge Group entende por Rede Colaborativa de Valor (RCV), empresas parceiras com processos integrados em redes colaborativas, que não mais operam em cadeia seqüencial, mas que em tempo real, maximizam a eficiência e potencializam o valor agregado de cada uma das partes envolvidas, oferecendo a melhor relação de valor, preço e serviço. (Relatório Redes Colaborativas de Valor, Edge Group, 2003).

No livro ‘Adapt or Die’, os autores Claus Heinrich e Bob Betts traçam a trajetória da ABN (Adaptive Business Network) em quatro passos que irão facilitar a colaboração, reduzindo tempo e custo para toda cadeia de valor:

1. Visibilidade - rastreamento de informações em níveis de inventário; compartilhamento de dados on-line com parceiros via portal; transações manuais simples através de web sites.

2. Comunidade – melhorias nos métodos de rastreamento e controle do inventário com a instalação de bar code scanning ou tecnologia RFID; aumento nas transações via portal.

3. Colaboração – redução de inventário pelo compartilhamento dos dados de demanda do cliente com os parceiros da cadeia; reposição automática de materiais através do rastreamento do consumo pelo portal ou sistema atualizado constantemente.

4. Adaptabilidade – necessidade de acordos e padronização dos processos de negócios; uso de tecnologias para facilitar a interação dos serviços/ produtos oferecidos aos clientes e automatização do processo de decisão e do compartilhamento de dados.

Para o Edge Group, entretanto, a ‘Adaptabilidade’ é uma etapa anterior à ‘Colaboração’. Primeiramente, é necessário que as empresas padronizem serviços, desenvolvam processos de negócio em comum, estabeleçam acordos e adotem tecnologias como Web Services, XML, banda larga, sistemas RFID e dispositivos inteligentes para mergulhar na fase da ‘Colaboração’.

Algumas empresas apresentam características da 2ª fase (Comunidade) com o uso da tecnologia RFID no Supply, destacando-se segmentos como o de automação industrial. Porém, o número é reduzido se compararmos com o potencial desse mercado para alcançar toda a cadeia de valor, trazendo resultados mais promissores para todos os integrantes. Outro ponto a ressaltar é que apenas a tecnologia não determina o avanço da empresa para o passo seguinte. O fator chave está na adoção dos parceiros e fornecedores para a evolução em conjunto da cadeia de valor e o comprometimento dos players integrantes da RCV (Rede Colaborativa de Valor).

As pesquisas do Edge Group, em 2003, apontam que nenhuma empresa está imersa completamente nos conceitos e práticas da RCV (Rede Colaborativa de Valor) ou ABN (Adaptive Business Network). Essa mesma opinião é compartilhada pelos autores do livro ‘Adapt or Die’. O Edge Group entrevistou executivos de 50 empresas, dentre as 500 maiores no Brasil, e 60% das empresas já praticam alguma modalidade colaborativa, como reuniões de planejamento anual junto aos clientes e fornecedores, neste estágio inicial de formação das RCVs.

As smart tags estão entre as tecnologias que irão fazer a diferença na etapa “Adaptabilidade”, segundo Claus Heinrich e Bob Betts, interconectando os produtos/ serviços oferecidos para os clientes. Como o Edge Group considera o passo “Adaptabilidade” anterior ao da “Colaboração”, é nesta última etapa que as empresas atingem a total imersão nos processos colaborativos entre empresas, podendo alcançar a ponta da cadeia: os clientes. E neste caso, as smart tags tornam-se um diferencial competitivo, pois os chips inteligentes podem disponibilizar dados que, se bem utilizados, munem as empresas com informação estratégica.

Para a leitura de “Adapt or Die”, foi necessário criar um filtro analítico adequado, pois os autores são dois altos executivos da SAP. Tal recurso, entretanto acabou diluído diante de tantas informações relevantes e que vão ao encontro de vários conceitos fundamentados pelo Edge Group.

A jornada é longa até que o uso das etiquetas inteligentes torne-se prática padrão no Supply Chain para empresas que pertencem a uma mesma cadeia de valor e mais longa ainda se envolver o compartilhamento de informações entre empresas sobre clientes. Em outras palavras, a disponibilidade e multiplicidade de uso das tecnologias, como RFID e tags inteligentes, não garantem a maior adoção das empresas para processos colaborativos, mas são essenciais para a evolução desse novo cenário de negócios com empresas e economias interconectadas. Conclui-se, então, que o grande diferencial está no maior comprometimento de gestão entre todos os players da rede, aumentando a eficiência dos processos e, com isso, fomentando ganhos para toda cadeia. Esse é um dos principais pontos de convergência entre as duas teses.


A longa jornada da RFID e smart labels

Uma das contribuições mais significativas da RFID é a segurança e proteção de equipamentos contra roubo.

Hoje, com os avanços da aplicabilidade da tecnologia, em maior grau na Europa e América do Norte, maiores investimentos começam a abranger o Supply Chain. As empresas buscam melhorias em processos de negócios específicos e redução de custos logísticos.

Para as empresas que decidem investir na tecnologia RFID, os estudos de viabilidade de investimentos, retorno e riscos são imprescindíveis, principalmente, em tempos em que os custos ainda são elevados para o funcionamento de sistemas RFID e compra de etiquetas inteligentes em grande quantidade, principalmente para produtos de baixo valor agregado.

No varejo, as smart labels chegam devagar. Empresas que investem na tecnologia RFID estão iniciando a jornada com projetos piloto divulgados, constantemente, pela mídia como o do Wal-Mart, empresa que vem fazendo experiências com RFID há mais de uma década.

O gigante varejista deu mais um passo significativo no rastreamento de produtos, sendo que algumas lojas da região de Dallas já contam com etiquetas inteligentes em produtos. A rede pretende implantar EPC (Electronic Product Code) nos Estados Unidos, até janeiro de 2005, com os cem maiores fornecedores e, a partir daí, essa implantação deverá abranger América Latina e Brasil. Recentemente, Além do Wal-Mart, empresas como Benetton, Gillette, Kraft, Procter&Gamble e Pão de Açúcar também demonstram interesse em smart labels para produtos. Dentre os principais objetivos estão proteção contra roubo e agilidade no processo de negócios.

Entretanto, há ainda muitas dificuldades enfrentadas pelas empresas para a adoção da tecnologia RFID que variam desde a concepção do projeto piloto (falta de padrões e custos elevados) a análise inteligente dos dados coletados (necessidade de profissionais que façam projeções e indiquem tendências).


1. Dentre as inúmeras vantagens, a tecnologia RFID é utilizada na identificação de produtos, permitindo agilidade na cadeia de fornecimento e otimização dos processos do setor da distribuição. Constitui-se em tecnologia chave para itens inteligentes (smart itens) como código de barras, sensores, chip cards e smart labels (etiquetas inteligentes).
As etiquetas inteligentes (também conhecidas como smart labels, smart tags, e-tags ou EPC-Electronic Product Code) armazenam dados dos produtos e unidades logísticas. São pequenos chips e antenas de baixo custo, não maiores que uma etiqueta convencional de código de barras, que além de serem reutilizáveis, podem reduzir custos logísticos possibilitando o envolvimento de todos os players (fabricante, distribuidor e varejista).



Autora: Daniela Ramos Teixeira


Artigo publicado em 05/2004 www.edgegroup.com.br

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